Tendências 2008

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Entrevista do Anuário Tendências 2008 da Editora Quantum, a mesma da revista Venda Mais concedida em agosto de 2007:

Tendências: Vivemos um momento de convergência de tecnologias. Internet no telefone, conexão sem fio, televisão e rádio no computador, etc. De que forma este fenômeno pode mesclar ou alterar as estratégias do marketing nestas mídias?

RF: Não sei quanto a você, mas eu não gostaria de ser inundado com propaganda de todo lado e olha que eu adoro propaganda. Vivo disso! Por outro lado, eu quero receber determinadas informações que escolho.

Também acho que a convergência permite um acesso ao target mais segmentado. Mas a internet via celular ainda não é lá essas coisas, pelo menos pra mim.

Com certeza, a convergência de mídias e tecnologias vai alterar as estratégias de marketing, como vem acontecendo nos últimos 150 anos, mas ainda é cedo para dizer se este tipo de divulgação vai fazer sucesso ou será um estorvo.

Uma coisa é certa, as agências, os departamentos de marketing e os empresários devem experimentar. Testar táticas diferentes e examinar os resultados. Alguns mercados terão mais aceitação que outros, mas falando em internet, por enquanto nada supera o marketing com buscadores.

Tendências: No Brasil, hoje, passamos de 30 milhões de usuários da internet. Mas, quando falamos em compradores efetivos, este número cai para menos de 5 milhões. Isto se deve a desconfiança com a rede, é uma questão cultural, que com o tempo, tende a mudar?

RF: Pra mim parece natural. Usuários de internet incluem pessoas educadas e conectadas, mas nem todas têm dinheiro ou poder de decisão.

Outras pessoas estão esperando o tempo certo. Outro dia, comprei um monitor por uma oferta especial e um preço que nem hoje encontro e já passaram mais de quatro meses. Quer dizer, eu já queria comprar o aparelho e esperei o preço certo.

Quando veio, não perdi a oportunidade.

Vejo que isso está se tornando um padrão de comportamento de muitos consumidores da rede.

Além disso você pode esperar que, agora que o cartão caiu no gosto do brasileiro, esta relação pode mudar. Ainda há desconfiança, mas com o avanço do dinheiro de plastico a desconfiança tende a desaparecer.

Tendências: Qual é a expectativa para o comércio eletrônico no Brasil em 2008? Vocês possuem uma projeção de cenário, em termos de volume?

RF: Estimamos um crescimento de 50% a 70% em relação ao ano passado. Uma analise de tendências nos negócios que temos acesso, nos revela que, a menos que a 'mãe de todas as crises' destrua a economia, ainda este ano há inúmeras oportunidades no mercado digital.

Estamos longe da saturação do mercado e quem souber ousar, vai colher frutos suculentos.

Tendências: Existem, basicamente, três segmentos de produtos e serviços com maior aceitabilidade e rotatividade na internet: turismo, bens de consumo e automóveis. A tendência, para 2008, é que este predomínio continue? Algum produto e/ou serviço, em especial, terá destaque maior do que os demais?

RF: Acrescento a sua lista o setor de serviços, que talvez seja mais difícil de medir que o movimento de uma loja virtual, mas que acrescenta um montante considerável no mercado. Refiro-me aos negócios que nascem na web, mas são negociados e concluídos fora dela e não podem ser classificados como e-commerce, mas nem por isso deixam de ser negócios.

Além disso, com a explosão da web 2.0, acredito que veremos um aumento nos serviços de vídeo e na publicidade que o Google já ensaia no youtube.com e novas mídias.

Em resumo, produtos de informação (ebooks, software, audios, vídeos, games, toques de celular, etc) e ligados à tecnologia, vem se mantendo e aumentando como fatia do mercado.

Tendências: Os automóveis representam uma grande fatia do mercado de varejo online. Mas, fatores como o alto custo do produto, a impossibilidade de experimentação (test-drive, dirigibilidade) e possíveis dificuldades com o pagamento não acabam sendo grandes obstáculos para esse tipo de aquisição na internet?

RF: Depende de como você aborda o caso. Um carro deve ser entregue numa loja ou concessionária, para estabelecer o compromisso desta empresa em particular, na manutenção.

A internet pode ser usada para obter informações, conhecer e comparar os detalhes dos diversos modelos, estudar as formas de aquisição, financiamento, acessórios, seguro, etc. Só que no final, o carro ainda tem de ser entregue e ele não virá de motoboy.

Portanto, a questão não sã os os obstáculos e sim sobre como usar a ferramenta de forma adequada.

Neste mercado especifico, pode-se notar a realidade da convergência de mídias.

Tendências: Há espaço para a comercialização de produtos customizáveis e/ou perecíveis na internet?

RF: Os perecíveis podem usar a internet tanto no b2b como no comércio de bairro, desde que as empresas façam a lição de casa. Isto é, se fizer uma compra de vegetais e carnes via internet, quero que seja entregue rapidamente e com produtos de qualidade.

Quanto à personalização (customização), não há nada como a internet para se montar uma versão individual do produto, mediante as opções escolhidas pelo cliente. Tem até um carro que você só compra na internet e pode personalizar cada detalhe. Claro que depois, você tem de ir buscá-lo em uma concessionária da marca.

Tendências: O uso do email-marketing é considerado uma das melhores estratégias para atingir um público certo, segmentado. Porém, ainda remete aos desagradáveis “spams” por parte de quem os recebe. Como destacar as diferenças entre um e outro? As empresas tendem a utilizar mais esta ferramenta em 2008?

RF: É inegável que mais de 90% dos emais que trafegam pela internet todos os dias são considerados spam. A questão é saber separar o que é spam e o que são emails legítimos (email marketing).

Os dois são parecidos: o veiculo de comunicação é o email e as mensagens são enviadas para milhares ou milhões de pessoas.

A diferença está na permissão. O email marketing também é um ramo do marketing de permissão que como diz o nome, tem a permissão do recipiente como premissa para o envio.

Se para ganhar dinheiro na internet, bastasse apenas comprar um cdrom com milhões de emails e sair disparando, teríamos centenas ou até milhares de milionários.

Por outro lado, diariamente olhar o email é a primeira coisa que as pessoas fazem ao entrar na internet.

Ou seja, se a sua empresa usar uma estratégia de email marketing para estabelecer um relacionamento com seus potenciais clientes e não fizer spam apenas para botar a mão no bolso dos incautos, as chances de sucesso são grandes. Consulte um especialista.

Tendências: A possibilidade de vender a preços mais acessíveis através de um site representa, cada vez mais, uma ameaça às lojas físicas? (a exemplo de americanas.com, companhias aéreas, etc.)

RF: Não acredito nesta coisa de ameaça, de obstáculos. Onde você vê um problema, vejo uma oportunidade. Pessoalmente não acredito que as lojas físicas desapareçam mesmo que a internet atinja toda população mundial.

As pessoas não são computadores. Além de ler e se informar, elas querem tocar, cheirar e sentir o objeto de seu desejo.

Não há nada como comprar um software ou ebook pela internet e receber gratificação instantânea (você paga com cartão e baixa o produto na mesma hora), mas qualquer produto feito de átomos e não de bits, ainda precisa ser transportado.

O que se vê é uma convergência e virtualização das marcas. Você entra numa grande loja e vai encontrar stands para contratar serviços financeiros, lanches, telefonia, etc, de outras companhias, seguindo as tendencias que o próprio mercado aponta.

O que o futuro nos reserva é uma distancia cada vez menor entre os mundos de dentro e fora da internet com as fronteiras cada vez mais indiscerníveis tanto entre as mídias como entre as marcas.