Marketing ‘do mal’? O que um criador de búfalos me ensinou sobre vender

AddThis Social Bookmark Button
“Tem anúncio que é como jazz. Dá mais prazer
para quem toca do que para quem escuta”
-- Rubem Dualibi

Conheci ontem um rancheiro que cria búfalos e vende os produtos do bisão. O amor que ele tem por seu trabalho é aparente. Ele jorrava informações sobre o assunto.

Por exemplo, eu não sabia que búfalos nunca têm câncer. Ou que a carne de búfalo é mais magra, saudável e melhor para você que qualquer outra carne vermelha. Também não sabia que a carne de búfalo têm menos calorias até do que carne de frango:

-- As pessoas não sabem como preparar. Explicou o rancheiro. – Como é uma carne magra, precisa cozinhar lentamente e em fogo baixo.

Em seguida, acrescentou:

-- As pessoas que fazem a ‘Dieta Paleolítica, também chamada de dieta do homem das cavernas, adoram carne de búfalo. Ajuda-os a perder peso e emagrecer naturalmente, ele disse. – Eu como de meio a um quilo de carne de búfalo, alguns vegetais e estou forte e em forma.

Como estou a caminho da saúde e acabo de perder mais de 35 quilos, ouvia tudo avidamente. Estava tão arrebatado por esta nova informação que acabei fazendo um grande pedido ali mesmo.

Mas o rancheiro também tinha algumas opiniões curiosas.

-- Sou apenas um rancheiro, ele me contou. – Toco meu rancho praticamente sozinho, trabalhando dia e noite, e depois disso tudo, ainda tenho que sair e negociar minhas coisas. Eu quase que odeio isso.

-- Você odeia marketing? Perguntei.

-- Há poucos dias vi o ator Billy Bob Thornton na tv e ele disse, "Marketing é 'do mal'".

-- Interessante, contra ataquei. – A razão de Thornton aparecer na tv foi para fazer o marketing do seu novo filme.

-- Bom, eu não gosto de marketing, aquele senhor me disse: – Talvez seja porque não sei como fazer isso.

Nesta altura, Nerissa saiu de casa e veio conhecer o rancheiro, que logo lhe ofereceu um pouco de carne seca de búfalo que ele também fabrica. Ele a segurou na frente dela e disse:

-- Você come isso e não vai querer comer mais nada o resto do dia. Esta é a comida que mais sacia e é a mais satisfatória que você jamais provou, disse. – Não tem conservantes e é toda natural.

Claro que a esta altura eu já queria um pouco da carne seca também.

Quando o homem foi tirar o pedido, ele pegou um belo bloco de papel em seu caminhão. Ele já ia apoiando-o sobre o capô do meu BMW quando o impedi, dizendo:

-- Por favor, não quero deixar riscos no carro.

-- Veja isso... Ele disse, afagando o couro da capa do seu bloco de notas. – Vá em frente e toque nele para sentir como é macio.

Foi o que eu fiz. Aquele couro era macio como seda.

Então, o rancheiro me fez uma pergunta hipnótica:

-- Pode se imaginar indo a uma reunião com um destes sob o braço?

Automaticamente, aquela pergunta natural ativou a parte visual do meu cérebro e agarrou-me pela vaidade.

Imediatamente, eu queria aquele produto incomum.

-- Como posso ter um desses? Perguntei.

-- Posso mandar fazer para você, se quiser.

Foi assim que pedi um bloco de notas com capa de couro de búfalo.

Paguei aquele senhor, apertei sua mão, e ele entrou em seu carro, ainda resmungando algo sobre não gostar de marketing. Ele disse que estava tão atrás em seu aprendizado de marketing que suas praticas deveriam ser pré-históricas.

-- Você está fazendo ‘Marketing Paleolítico’, ofereci.

Ele riu e pegou a estrada.

Parece que nem notou que seu ‘não-marketing’ ajudou-o a fazer um monte de vendas neste dia. Comprei carne fresca, carne-seca e um bloco de notas. Também comprei uma caixa de mel, que esqueci de mencionar. E nada disso foi barato.

Já disse antes e direi novamente: Marketing é simplesmente informar entusiasticamente às pessoas mais interessadas em seu produto ou serviço de que ele está disponível.

É isso que ensino em meus livros e meu Programa Mentor de Executivos. Vou repetir:

Marketing é simplesmente informar entusiasticamente às pessoas mais interessadas em seu produto ou serviço de que ele está disponível.

Não tem nada a ver com manipulação.

Tem tudo a ver com informação.

Quanto mais apaixonada e sinceramente você comunicar sua mensagem, mais hipnótico será o seu marketing.

Mas se você tentar negociar com alguém que não tem interesse, sua atitude pode ser tachada ‘do mal’.

O rancheiro estava fazendo marketing, mesmo que nunca o admita. O amor por seus produtos era claro como a luz do dia. Ele come búfalos, veste búfalos, cria búfalos e fala de búfalos. Ele não fala de bois, fala de búfalos. E quando ele fala, se as pessoas que ouvem estão, mesmo que remotamente, interessadas em bisões, elas compram.

Marketing só é ‘do mal’ quando você mente ou engana pessoas para vender, ou quando sua mensagem não é apropriada para a audiência a que você se dirige. Ninguém jamais deveria fazer este tipo de marketing equivocado.

Nunca. Não há desculpas para isso.

Se você está oferecendo um produto ou serviço em que acredita, então compartilhe sua animação por ele, para a audiência correta. (Se você não acredita em seu produto ou serviço, então o que está fazendo tentando vendê-lo, afinal?).

Em outras palavras, se você tem algo que realmente beneficia um certo grupo de pessoas, e você não diz a elas, será que você não está lhes fazendo um desserviço?

Novamente, marketing é basicamente compartilhar seu amor. Sua paixão. Sua crença. Quando você divide isso com alguém que acolhe a informação positivamente, é provável que resulte em uma venda. Naturalmente. Facilmente. Sem esforço.

Nota: O site do rancheiro é http://www.ThunderHeartBison.com

O Dr.Joe Vitale, é autor de tantos livros que não daria para listá-los todos aqui. Seu best seller "Redação Hipnótica", como hipnotizar apenas com palavras já está em português.

Copyright © 2005, Renato Fridschtein. Todos os direitos reservados.